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felinagens

Criei (ou não) vergonha na cara e publiquei essa história até o final
fica aí o registro
talvez ano que vem eu escreva mais


Escrito por Paulo G. Horn às 23h28
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Branco. Raiosflete os luminosos. Vazio. Juntação de todascores do Espectro de cores. Fantasmalvo? Vazio vazio.

Gatímido deitagora líquido como oceano cobrindestúdio. Oceano tíntico. Gatomar ronronante liqueitado em minhas pernas. Milomão-cabeça-tronco-rabo mão-cabeça-troco-rabo. Vai e volta. Ronronante. A canetinta abandonada acimalto de algumas folhesboços nãoproveitadas rolarola cada vez que mão-cabeça-tronco-rabo bate na pranchetamiga. Rola rola cainochão.
Gatímido pulassustado abridos olhos. Tapetum lucidum tapetum tum. Visão do branco é ruim pros gatos. Tapetum lucidum lucidum dum. O pretoquim negrumelhante. Escuro. Gatorabotufadonanquim. Nãoquim mais. Brancoberto.

Branco. Alvozio. Almorto. Muito claro. Ausência de cor em pigmentores.

As folhas não são mais folhofás. Pego a canetinta e o nanquim que antes virava gatorabotufadonanquim é só mais um riscorabisco qualquer. Direita esquerda vai e vem da esquerda pra direita a tinta preenchendo o branco. Mas nãoquim aparece um gato. Branco branco branco nada. Só um borrão.
Traço puro riscorabiscado nas bancas. Gatopáginas e mais gatopáginas. Todo mundo lendo gatorabotufadonanquim. Preturo. Negrumelhante história. Me deu um prêmio. Me tirou um gato. Um de rabotufadonanquim.

Leo liga. Vais à convenção reveber o prêmio? Me avise para eu fazer a reserva do hotel. A secreletrônica repetepeterepete a mensagem do editor. A voz rugira fica ruída pelo sometálico ga gravação.
Eu ligo. Meu caro, eu não vou nem à minha sala de estar. Não gosto desse clima de gênio que gira nestas convenções. Sou um desenhista. Escritor talvez. Não gosto de ser gênio. Não acho que sou. Tenho meus problemas com esta revista. Ir seria como enterrar um amigo. Falei após o Biiiiiip!

Não não não não não. Riscorabisco e nada de rabotufadonanquim. Gatímido continua líquido no estúdio. Faz parte da decoração quase. Pego a folhesboço e numa bolinha de raiva à jogo pra traz. Gatímido pularmado e paff! paff! paff! Poucos paralelos sacudindo as pranchetas e nanquins.
Seguro uma canetinta nova em minha mão. Será que existem gatos vermelhos?

Escrito por Paulo G. Horn às 23h21
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Olhos. Rabotufadonanquim agora é sólhos. Nuncantes rabotufado deixararecer os olhos. Agora cada riscorabisco da canetinta desdo começo desnegrumelha o gato. Negrumelhante só o voltorno. Mas não nas folhesboços. Desnegrumelhança de rabotufadonanquim sónde a folhofá me agrada e arterminaliza.
Tú és negro e dará tua negrumelhança. Pretencherá as folhesboços prautor contesenhar a história.
Dizenha a canetinta riscorabiscando mais uma folhofá arteminalizada. Dizenha com autoridade de pretossuidora. Rabotufadonanquim líquido na folhofá vai evaporacinzentando. Riscacinzenta rabiscocinzenta. Pretolhos pretolhos. Rabotufadonanquim vai sendo cinzumido.
Gatímido cresgrandece. Bem líquido agora. Quandantes gatímido adentroava esquivestúdio e ficava fascinado com uma folhesboço amabandonada não imaginava que gatímido liquefaria tão depressa. Apoiado líquedo comabeça na perna da pranchetamiga gatímido é alheiagora às folhesboços que chuvaem ao chão enquanto eu ricorabisco e rabotufadonanquim vai cinzumindo.
Tú és negro e perdesenhará tua negrumelhança. Cinzabstrair-se-á da nancuridão prautor riscabar a história.
Tristecinza tristecinza tristecinza. Remiscinzência desagradável. Esfumacinzentando. Dizenha a canetinta esfaquecinzentando rabotufadonanquim.Tristecinza cinzozinho.

Escrito por Paulo G. Horn às 23h21
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Mileixou a cadeira. As milhares de folhesboços cobriam a pranchetamiga e cachoeiravam em direção ao chão, tapetado por folhesboços rebandonadas. Passpissavam o carpetintado. Tintescuidado. Icautinta. A portentrata do estúdio cresgrandecia à aproximidade. O cemitézeiro cheio de bitucadáveres logestanciava-se. Misegurou a mãoçaneta medotante.Gitorceu e milouviu creeeek. Milependência.

A salestar jé um estranlugar para mim, parece habitado por certosmônios que não gostam de sererrompidos mas que mesmo assim gostariam da minhesença junto à deles. Elusam selos e moediferentes, faloutra língua. E eu não vou lá porque certamenstaria de estar presente muitais com eles.

Gatímiava. Miloau, miloau. Milosou rápido pelorredor maluminado de paredescacando. Tintanquim? Não, não, verniz. Aproximedou-se da comidozinha inutitempolizada, passando cego por recortângulos quiam do chão àquase o tetonde deveriam existir porportastas. Mãovimentos rápidos percorriam gavetas, facolheres, copáguas, pratopanos e apenas pratos. Abre fecha abre abre. Gaveixotes eram esquecidos entreabertos. Onde está, ondestá?
Na beirada da estante, juto ao potescoitos, milegou a caixalitos de fogósforos. Correu pelorredor baixolhando pra frente, fugiscapando dos recortângulos sem portastas e das paredescascando. Portentrou o estúdio acompanheirado pelo gatímido e recosentou na cadeira. Fogocendeu um cigarro e retomou so desenhos, afastando as folhesboços para dar espaço à uma nova folhofá. Risocrabisco, rico rabisco.

Idéialustradas começaram a vazar, a rumar num fluxo contínuo do bicodepena para a folhofá, nanquinchendo, transfiguformando folhesboços prontos, belimagens psicoderreais, mais e mais aos olhos de rabotufadonanquim. Longe do fundemônio da salestar, desenhidéias tão complexas vidanham, desenhidéias que se tornam auto-conscientes. Rabotufadonanquim líquido vaicinzentando pouco a pouco.

Escrito por Paulo G. Horn às 23h19
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Milo deitou-sexausto sobre suas milhares de folhesboços. Riscorabiscos se aconchegavam nos braços cansados de quem passou a noite e o dia e a tarde toda riscorabiscando. O perpétuo sono se estendeu como coberta ao artiasta cansado. Folhofá, folhofá minha, me diga quem é sua rainha? És tu ó preciosa tintanquim, que com seu negrumelhante conduz os olhos através da pouição alva prismolorida da convergência verdermelho laranjarelo ciazuleta.
O gatorabotufadonanquim panterandava, lado proutro. Está atrasado, está atrasado, acorde! Já são dez prasmuito! Panterandando, panterorrendo, pantarroando. Quem tem medo do gatomau, gatomau, gatomau, quem tem medo do gatomau...
Milocordou deitado sobre o borrachomelo. Com os olhos ainda embasbaçados olhou dum lado proutro. Viu rabotufadonanquim-de-botas no tobo de uma bicodepenárvore panterambulando. Tentou levantar-serguer mas notou que estava preso. Diversos traçolinhas prendiam-o ao borrachomelo. O rabotufadonanquim-de-botas tirou do bolso um tinteirológio. Está atrasado demias Milo, muito atrasado. E a cartainha de copas não gosta de ser embaralhada.
Tentava milevantar mas continuava prelinhado ao coguracha. Pontos e mais pontos, gotintas e mais gotintas subiam em seu corpo. Lillipontianos! o povo de Lillipontafina prendera o gigantesenhista!
Rabotufado-de-botas panterrou para o chão perto do borrachomelo e, num instantera cortou com as garrunhas os tralinhas, borrando Lillipontianos pela roupa de Milomarrado.
Corra corra Milo, você está atrasado! Aí vem a cartainha! Milopé correu e correu, virando esquinetas e curvovos. Chegou a três aportadores, cada um de tamanhos diferentes. Lambeu o pórpura Lillipontiano sangrado em sua roupa e diminutou ao tamanho de um grãofite. Papelou pelo aportador menor. Peguem o desemonhisita! peguem o desemonhista e cortem sua cabeça! Os gritorturantes da cartainha de copas assovoavam longe.
Milodeu de cara com o rabotufadonanquim-de-botas, panterândo pela salâmina central do aportador. Li certa vez que buscando resposta sobre o porque homens haviam matado seus filhotes, uma gata conversou com so senhor dos sonhos. Homens pequeninos sonharam o mesmo sonho e acabaram com uma era onde os gatos eram os senhores. A gata, se dedica até hoje fazer com que os gatos voltem a sonhar com uma era onde gatos possam reinar tranquilos.
Milocordou exausto sobre suas milhares de folhesboços. rabotufadonanquim-sem-botas olhava-o líquido do canto da folha.
Corra Milo, corra! Você está atrasado!

Escrito por Paulo G. Horn às 23h19
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Minha mãe disse que o primeiro que eu fiz foi aos 4 anos.
Giz giz vermelho amarelo marrom azul risca risca qualquer lado risca mais cima baixo suco laranja risca risca mancha terminei. Desenhei um monstro. Todo torto olhoabelha antena espadamão salvador tóquio heróidomundo. Nada de gato.
Aos 9 minha primeira história.
Lápisdecor vermelho risca risca azul por fora risca rabisca e risca pega preto chifre risca esconde cara atras capa risca risca quebra ponta joga fora pega azul cima baixo vai volta lados acabei. Jornalista alado se encontava com morcegoplayboy no ceu terra mar de Gothópolis juntequipe ganha bem prende bandido. Passarodrácula e nada de gato.
Mais de uma pagina pela primeira vez aos 12.
Lápisdecor aquarelado risca risca amarelo listrapreta garraosso rasga pescoço jorra púrpura pega pincel molha agua passa passa borra tudo azul caolho raio vermelholaser cabeça capacete cai chão mata inimigo sai machucado salva o mundo. Carcajúmolho sangra sem nenhum gato perto.
10 páginas de nãosuperheróis ao 16 primeira tentativa.
6B lápisdesenho risca risca aparece Basset risca cahorro meu cai marrom grogue caixotegigante azul d´água giratorce esperneia morre manchaborra cinza na minha mão. Cãofogado gato ri mas não aparece.
Primeira história publicada aos 22 50 páginas.
Tarço firme garotoxonado linha reta tesoura creek creek risco corta rasisco cabelo vira pretonanquim pêlos encobrem chão branco tesoura garota penabunda garoto louco igreja bíblia no braço abandona bateria vira pastorfanático. R$ 4,50 em qualquer banca sem gato.
Históriatual três meses atrasada.
Rabotufadonanquim no topo da folhofá 30 páginas feitas riscariscarisca frenético risca mais metade rabiscar mandar até quinta capítulo um 20 páginas.

Sabia que minha mãe não tem nenhuma das minhas histórias rabotufdonanquim? Uma vez dei à ela a segunda ou terceira que foi publicada entreguei na mão dela e ela botou na mesa da sala dizendo que não ia ler porque já tinha o desenho do olhoabelha que era o único que ela realmente queria. Um desenho todo tordo salvadordomundo quatridade era importante pra ela. Disse que aquele era um traço puro. Pode isso gatímido? O traço puro o único traço puro que eu já fiz na vida está três meses esperando a banca.
O tom puro gatímido tufadonanquim o tom puro é o rabotufadonanquim líquido no canto superior da folhofá.


HIstóriatual três meses atrasada.
Direita esquerda vai e vem da esquerda pra direita e novamente pra direita com a parte apoiada mesmo borrando a tinta preenchido branco pelo negro espalhado pela folha e pela pele no meio da altivez.

Escrito por Paulo G. Horn às 23h18
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GATO 4

Li um gatopreto voltava vermelho toda noite cortado ferido rasgado brigava num bosque pantera contra diabodouro miava arrastado corpo vazando púrpura até outra noiteluta. Li também gatopreto sumido quieto silênciotúmulo mia mia mia preso em salarcófado junto cadáver entrega assassino.

Começo coexistir gatorabotufado.
Deitado líquido no topo da folhofá o tempo todo rabotufado não tomou traço linha sombra o preto automático tornou-se preto como gatorabotufatonanquim.
Rabotufadonanquim permaneuceu cauda levantada no topo da folhofá os desenhos inteiros. Quando pegava nova brancura primeiro traço rabotufadonanquim passava girava caia líquido espalhado pela folhofá levantava para o topo deitado com cauda balançando direita esquerda direita esquerda vai e vem vai vai preto preenchendo borrando altivo preto volume formas
Gatotímidofilhote deitado aos pés também desenhos inteiros. Certo ponto pulou fincou garrasunhas escalou perna colo subiu mesa e espalhou líquido. Não líquido rabotufadonanquim que velhapoça mas já estado de liquefação. Líquido tímidofilhoteliquefação via folhofá vai e vem mãonanquim e olho fechava Tapetum Lucidum.

Li vez Tapetum Lucidum membrana dentro globocular reestimula retina ao refeltirluz cavidade melhora a visão noturna escuro negro.


Escrito por Paulo G. Horn às 23h16
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GATO 3

Caro Milo,

você me disse uma vez que o “desígnio era a atitude do desenhista em relação à realidadeâ€. Pois bem. Então eu te pergunto: qual será o seu desígnio? Por que a realidade, rapaz, é que os seus prazos já estão bem estourados. Tenho sido paciente com sua insistência em achar o Tom Puro nos seus rabiscos, mas preciso que me mostre resultados. Sei que não mandará nenhum esboço. “Não são uma opção ao Tom Puroâ€, se não me engano. Mesmo assim, Milo espero um desígnio rápido de sua parte. Não se esqueça que ainda sou seu editor.
Por enquanto, ainda aguardando
Leo Spelaea,

o movimento automático mão sobre papel através do branco preto preto preto risca risca até chegar um preto que diga algo oi eu sou isso.
Esse é o Tom Puro. Ele não é um desígnio, não é uma atitude, ele é um instinto. Do mesmo modo que o gato gira o corpo pra cair em pé a mão segura o nanquim e percorre a página, usando-o para evidenciar volumes sombras e formas. A linha praticamente desaparece.

Linha linha linha reto reto reto o que é a linha? menor distancia entre dois pontos. Traço reto torto curvo vai e volta e vira sofá

A linha desaparece por que o gato é mais rápido. Quando eu estou traçando ainda ele passa toda a linha e cai. Em pé. Gira o corpo e cai no branco e toma conta e adeus traço. O gatorabotufado deita líquido, espalhado pela folhofá


Caro Leo,
O nome da história é Tapetum Lucidum. E é tudo que tenho pra você agora
Atenciosamente,

Milo.

Escrito por Paulo G. Horn às 23h10
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