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continuação do gato

O Gato - 2 

Datas não são importantes. O dia de hoje também não. Todos os dias são o dia do gato. O dia que ele não aparecer, felino como ele só, eu posso desenhar os numerosinhos no topo da página.

Desenhar. Até nos desenhos ele anda aparecendo. Ele não anda, ele se impõe. Passo por passo, como uma pantera, rouba o nanquim das minhas criações e vai ficando cada vez mais negro, cada vez mais nítido.

Ele rouba sombras. Se funde à elas, se alimenta delas, é ela. Ao sol quando eu caminho, ele me segue. Não. Ao sol, quando eu caminho, eu fujo dele.

Ao branco, ele me perturba. Ao traço, ele me induz. Ao traço no branco, ele está por vir. E quando vem, o branco é pisado de preto. Pisado e repisado, em circulos até o preto se esparramar pela folha, deixando pouco do que era. O branco é um sofá.

Ao branco, para com medo de traçar. Mas sempre traço. Por que o traço, é sempre mais forte. O traço é, de um jeito ou de outro, o gato.


MILO,

dia do gato, escrevendo com nanquim



Escrito por Paulo G. Horn às 19h31
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