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o gato

Apesar da ausência de posts (e de visitantes), vou começar agora a postar uma série de nove pequenas partes que formam um conto de nome singelo. "o gato".

O Gato 

Direita esquerda vai e vem da esquerda pra direita e novamente pra direita com a parte de apoio apoiada mesmo borrando a tinta branco preenchido pelo negro espalhado pela folha e pela pele bem no meio da altivez.

Era um gato. Milo olhava para a folha rabiscada e via um gato. Um gato esguio de rabo tufado. Amassou a folha e jogou para trás, sem ter a mínima intenção de acertar o lixeiro. O gato, tímido e esquivo, entrou no estúdio e, como todo bom filhote, ficou fascinado com a bolinha de papel abandonada no chão.

Esquerda direita vem e vai da direita pra esquerda e de novo! pra esquerda unhas e garras ou unhasgarras pra esquerda? E paff! Paff! Paff! Pula pula perto gira roda branco abrindo abrindo o preto vermelho?

Milo segurava o nanquim, com a ponta pressionada numa folha clone da anterior, antes das passadas do gato esguio na brancura. Alheio à briga dos felinos, pensava se mudar de cor poderia ser uma alternativa. Ou será que também existiriam gatos vermelhos?

 



Escrito por Paulo G. Horn às 19h09
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