AREIA
Caída em meio às dunas, não pertence. Não seria ali que a procurariam. A vastidão de grãos, ásperos e secos. Um tronco. Um banco. Pernas não sustentam. Na areia, um círculo se desenha facilmente. Dentro de um triângulo. Palavras. Palavras. Erroneamente ditas. Vento apaga. Lembranças esvaem. Faz tanto tempo. Grãos que correm, grão que caem. Uma ampulheta. O vento canta. Uma antiga de ninar? Faz tanto tempo. Um círculo novamente. Dentro um triângulo. Palavras. Palavras. Erroneamente ditas, mas que resultam. Criam. Um erro aparece hominídeo. Me ajude a voltar. Uma ampulheta. Sorri.
Aparecido em frente à dama, sorria involuntariamente. Não tinha sido chamado mas ouvira a súplica. Isso não o impedia. Isso o compelia, na verdade. Na mentira. Não brinque comigo. Tão simples. Tão fácil. Tão divertido. Me leve de volta. Aqui estamos. Um círculo. Umas palavras. Por que não falou o certo? Por quê? Por quê? Uma ampulheta. Círculo que some. Grãos que acabam. Sorriso que aumenta.
Voando num impulso, tomava o que queria. Uma garganta era um cálice. Possibilitava o retorno. Voltar a não existir. Aos poucos. Não era isso. Uma ampulheta. Não grãos. Nem palavras. Resultam em cachoeira. Descendo rio púrpura. Jorrando vida. Vai. Por quê? Endurecendo. Escurecendo. Rubro alimento. Palavras. Palavras. Únicas. Nunca. Não invoque um demônio sem saber seu nome. Ele sorri. Triângulo. Túmulo. Círculo. Vento e areia. Ele sorri.
Escrito por Paulo G. Horn às 21h45
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Altamente influenciado por Neil Gaiman...
Ferre
Do alto, uma cruz ao longe, bem no centro de um grande nada. Capins queimados e restos de madeira-lenha acompanhavam à margem, a extensão das linhas que se cruzavam. Uma vertical. Outra horizontal. Reto toda vida. Há muito tempo um raio de luz passara, roubando com sua cauda um pedaço de céu. Chovia penas brancas-sangue. Cada vez mais perto do chão. Do céu rubro, as estrelas já não brilhavam como antes. Um buraco no chão. Sempre fumegante.
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Pai, o que são as estrelas?
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São anjos, querido.
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E as estrelas do mar?
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Fique longe das estrelas do mar. Agora venha,vamos brincar na areia.
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Quero fazer um castelo que ultrapasse as estrelas pai...
De baixo, um céu azul, bem ao nada de um grande centro. Nuvens azuis-cinzentadas e pontos-pedaços de luz cobriam o eterno rubro acima. Extensão de trinta e sete. Para cima. Para os lados. Não em metros ou quilômetros. Em falta de criaturas viventes. As penas brancas-sangue flutuavam feito folhas de outono, pesando púrpuras e esquivando-se do buraco fumegante. Rodopiavam pelo rubro até atingirem um dos últimos eventos, queimando-se no incessante fogo da cruz de terra.
De dentro, cavidade fumegante brilhava intensamente ao raiar do dia. Um luminoso filho da manhã. As estrelas morriam um pouco à noite. Uma remiscência de uma transgressão. Vênus, nunca mais foi vista ao céu, ao sair do dia. Um afastamento pelo sol. O ar não venta sobre buraco. Não venta sobre nenhuma parte da cruz mas mesmo assim as penas brancas -sangue revoam. O ar não se move livremente em meio a terra. Um buraco é um impacto. Um clarão estrondoso.
Um buraco no chão. Sempre fumegante. De manhã, antes do sol, brilha lá ao fundo. Bem no meio da encruzilhada. Lá no fim, sem penas. Há muito tempo um raio de luz passara, roubando com sua cauda um pedaço de céu. Caiu. O buraco de um impacto. Lá dentro, um luminoso filho da manhã. Lá dentro, o portador da luz. Lúcifer, estrela da manhã.
Escrito por Paulo G. Horn às 20h04
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