O olhar perdido no branco do teto lutava contra as lágrimas evitando de piscar para elas não fugirem. Não sorria desde ontem não falava desde cedo e não piscava desde agora.
Kant disse que chega um momento onde o ser humano não consegue mais aprender.
Kant era um estúpido. Até no fim se aprende a morrer...
E eu ali segurando-a, frágil rosa com as pétalas murchando, os espinhos já sem força para espetarem e rasgarem a pele inconformada, o pólem vazando e o tronco indo e vindo como se balançado pela brisa; a seiva bruta parando.
Achei que ela fosse morrer, achei que ia se acabar ali entre meus braços, apoiada no meu peito, tremendo febril, murmurando coisas inaldíveis, imcompreensíveis para mim.
E eu desesperado, as lágrimas escorrendo pela face, imploráva até mesmo para deus, por uma mudança no caminho, um desvio, um retorno ao jardim, à florescência no canteiro.
Enquando isso, as cinzas e o sal brilhavam disformes na cartela em cima da televisão.